Jornal da Cidade – Iniciantes descobrem emoção de ‘voar’

Durante evento em comemoração ao Dia do Trabalho no Aeroclube, muitos saltaram de pára-quedas pela primeira vez.
O primeiro salto não se esquece e, certamente, será o primeiro de muitos. Essas são as duas únicas certezas dos aventureiros que encararam ontem, no Aeroclube de Bauru, a experiência de saltar de pára-quedas pela primeira vez. A atração integrou o evento Skyradicalfest, realizado em comemoração ao aniversário de 70 anos do Aeroclube e ao Dia do Trabalho.

Difícil encontrar alguém que consiga encontrar as palavras certas para descrever a emoção da primeira queda livre. Segundos após ter colocado o pé em terra firme outra vez, porém, a bancária Lúcia Liz Amadei tentou. “As pernas ainda estão um pouquinho “bambas”. Antes de saltar dá aquela acelerada no coração e depois é delicioso e indescritível”, tenta definir.

Apesar de ser a realização de um sonho antigo, a bancária garante que a espera não foi pela falta de coragem. “Fazia um tempo que eu alimentava essa vontade, mas não havia tido a oportunidade. A adrenalina é o que inspira a gente a saltar e vencer o medo, que é bacana”, considera.

Presentão do namorado, o salto para a estudante Raquel Kobayashi acabou já trazendo o desejo do “biss”. “Foi o melhor presente que já ganhei. É maravilhosa a visão que você tem da cidade, a emoção, tudo. Quero saltar muitas outras vezes, é simplesmente viciante”, narra.

Enquanto as duas se recuperavam da emoção, era o pizzaiolo Sidnei Ximenes Garcia que se preparava para encarar o desafio. Bastante ansioso, o desejo de saltar de Sidnei também era de longa data. “Desde 1996, quando eu fazia o serviço militar e tinha contato com os pára-quedistas. Mas nunca havia dado certo. Quando eu fiquei sabendo que ia ter aqui, pensei: não pode passar de hoje (ontem)”, conta ele enquanto, já no avião, recebia as orientações do instrutor Guilherme Augusto Silvério. “É uma sensação de liberdade muito grande”, resumiu depois do salto.

O dia, porém, não foi marcado pela primeira vez somente dos que nunca tinham saltado. Depois de 20 dias do término do curso de pára-quedismo, Daiane Quintanilha aguardava ontem o seu primeiro salto solo. “Dá um medinho porque a responsabilidade é bem maior e você fica um pouco apreensiva”, conta.

Ansiosa, a pára-quedista torcia, desde a manhã, por uma “trégua” do vento, que limitou os saltos dos esportistas de pouca experiência. “Acho que agora vai. O vento começou a ajudar”, comemorou, já por volta das 14h. “Como o vento estava forte, os pára-quedistas sem muita experiência tiveram que aguardar. Mas os de instrução duplo estão ocorrendo normalmente. Os instrutores têm experiência para administrá-lo (vento) direitinho”, explica o recordista Paulo Assis, que comemorava 20 anos como esportista e instrutor da modalidade.

“Alcançar 20 anos fazendo qualquer coisa já é difícil, imagina se jogando de um avião”, brinca. “É uma marca muito importante na minha carreira e é muito bom comemorar isso aqui em Bauru”, completa o pára-quedista dono de quatro recordes mundiais no quesito “Formação com Pára-Quedas Abertos”.

Por conta da grande procura pelos saltos de instrução para iniciantes, segundo Paulo, a equipe da escola bauruense Skyradical permanecerá no Aeroclube hoje, também das 9h às 17h. Ontem, cerca de 20 saltos foram realizados durante todo o dia. “O evento é uma oportunidade ótima para quem quer conhecer a prática e, para os pára-quedistas, uma oportunidade de treino”, considera.

Para os saltos duplos, feitos na companhia de um instrutor, é necessária uma preparação de dez minutos apenas. Os interessados podem procurar os instrutores da Skyradical no Aeroclube ou ligar no (14) 9772-3900. O evento contou com o apoio da Prefeitura de Bauru, Net/Uniontek, Revista Atenção/Flipper Lanches/Veritas FM, Jornal da Cidade, 96 FM e Aeroclube de Bauru.

 

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População prestigia festival

Além daqueles que fizeram suas primeiras decolagens, o céu do Aeroclube de Bauru foi colorido pela presença de cerca de 25 pára-quedistas da cidade e região, que fizeram performances individuais e coletivas, com direito a pousos ousados, vôos sincronizados, formações de figuras, efeitos de fumaça colorida, entre outros movimentos radicais.

Os que não reuniram a coragem para saltar, aproveitaram o feriado com a família ontem, apreciando as manobras dos esportistas durante a realização do festival Skyradicalfest. A bauruense Flávia Rosa de Lima levou para o Aeroclube toda a família, que veio de Dracena curtir o 1 de maio em Bauru.

“Temos sempre que aproveitar quando temos a oportunidade de ver um evento desses. É muito bonito de ver”, conta Fabiana Aparecida Altran, cunhada de Flávia. E a bauruense promete: “Dá próxima eu venho para saltar. Hoje (ontem) ainda está faltando coragem”, brinca.

Além das atrações do festival de pára-quedismo, vôos panorâmicos também estavam disponíveis ao público.

Karla Beraldo